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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Quintana

DA OBSERVAÇÃO

Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!



DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.


terça-feira, 1 de julho de 2014

Wilson Pereira


"Mineiro, de Coromandel, passei a infância e juventude em Patos de Minas, de onde parti para Brasília, em 1976. Fui professor universitário e assessor legislativo, hoje aposentado, da Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde ingressei por concurso público. Exerci também os cargos em comissão, no Governo Federal, de Coordenador-Geral do Censo Escolar da Educação Básica Nacional e de Coordenador-Geral do Centro de Informação e Biblioteca, ambos no INEP/MEC. Cursei Letras e fiz Mestrado em Literatura Brasileira pela UNB. Sou poeta, contista, cronista e autor de livros infantis e juvenis, com 17 livros publicados. Fui premiado em diversos concursos literários de âmbito nacional. O livro Pé de Poesia, hoje na 6ª edição, recebeu o selo “Altamente Recomendável”, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil/FNLIJ, e foi incluído na lista dos cem livros escolhidos para o PNBE, do MEC, em 1999. Tenho poemas traduzidos na Argentina, Itália, Colômbia e Romênia. Meu livro A Rãzinha que queria ser Rãinha foi traduzido na Coréia do Sul, na Argentina e no México. Publico poemas, resenhas e ensaios em diversos jornais e revistas do País. Tenho poemas estudados em 18 livros didáticos."


Rebanho de Sonhos


Meu rebanho de sonhos
desce vales, sobe montanhas,
bebe brisas, come castanhas,
inventa sendas e sombras.

Meu rebanho de sonhos
feito brancas ovelhas
- lã de neve e luar -
lambe lumes de estrelas
e rumina tempo, devagar.


Meu rebanho de sonhos
segue aromas de amoras
e rumores de amores
nas redomas do sono.

Meu rebanho de sonhos
não sei para onde sai
nem sei de onde vem,
como nuvem se esvai

ao léu sob o véu do além.

(poema inédito em livro)

Trem


O amor
é um trem de desejos
um trem antigo,
antigo demais

que vem carregado
de sonhos, de sonhos... 
e de queijos

lá de Minas Gerais.



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Celina de Holanda


(...) Cecé como gostava de ser chamada, nasceu e cresceu nos engenhos Ypiranga e Pantorra, no município do Cabo de Santo Agostinho em 19 de junho de 1915 e faleceu no Recife em 04 de julho de 1999. Publicou seus primeiros poemas nos cadernos de cultura dos jornais do Commercio e Diario de Pernambuco e estreou em livro aos 55 anos, com O espelho e a rosa (1970). Celina participou ativamente dos movimentos culturais em Pernambuco, com destaque à Ação Católica Operária e às Edições Pirata, movimento editorial de escritores pernambucanos. A sua última obra publicada foi Viagens gerais, editada pela Fundarpe em 1995, em comemoração aos seus 80 anos, reunindo todos os seus livros publicados até aquele ano e ainda os inéditos Afago e faca e Tarefas de Nigiam.


Quatro poemas de Celina de Holanda


Colcha de retalhos

No chão da casa depositei as malas
E me sobraram braços
(meu nome
perdido em sua voz, não me chamava)
era a noite onde as coisas terminam
a interminável.
Agora
Setecentos e vinte e seis dias depois,
Um ar de chuva atravessando o rio,
Sento na máquina e recomeço a vida,
Só retalhos.



As Viagens

Viajo nos livros que faço,
mas sempre torno,
para escrevê-los
onde a vida
é uma menina pobre chorando
entre as moitas.
Trago-a de volta
ao seu colo, sua casa,
até que venha e me leve
o meu amado.



O ciclo

Na sala o espelho,
a rua na sala, a moça
o relógio ao contrário.

A moça decide o cabelo
à altura do amado,
que decide o seu sol
à altura da vida, de muros
tão altos.



Meridiano

Vivemos a grande noite.
Cada amor em seu amor
se oculta.

Quem nos roubou a ternura
escondida? O corpo claro
e diurno?

Como os animais e as crianças

um dia a vida será só vida.


(fonte : http://www.domingocompoesia.com.br/2014/06/a-poesia-viva-de-celina-de-holanda.html?spref=fb 23/06/2014)

segunda-feira, 9 de junho de 2014

As versões do poema Vladimir / Brechet /

Ver online o PDF

Já que não existe a verdadeira versão deste poema, veremos a sua evolução e transformação, já que isso move o mundo.


“First they came for the Communists,
and I did not speak out
because I was not a Communist.
Then they came for the Socialists,
and I did not speak out
because I was not a Socialists.
Then they came for the trade unionists,
and I did not speak out
because I was not a trade unionist.
Then they came for the Jews,
and I did not speak out
because I was not a Jew.
And when they came for me —
there was no one left to speak out.”

Niemöller


“Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei.
Agora estão me levando.
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.”

Bertolt Brecth

“Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim,
e não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”

Maiakóvski,

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Castro Alves - As duas flores


São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

domingo, 14 de julho de 2013

Fernando Pessoa


A Flor que és


A flor que és, não a que dás, eu quero.
Porque me negas o que te não peço.
Tempo há para negares
Depois de teres dado.
Flor, sê-me flor!
Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perere
Sombra errarás absurda,
Buscando o que não deste.


 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Vladimir Maiakovski





                                                                                 Lilia Brik                  

"A história é terrível. Bela e terrível. Uma trajetória de relâmpago ou raio. Britadeira. Cadinho incandescente de siderúrgica. Rumor de máquina, prego e martelo. Pintor, dramaturgo e poeta, Maiakovski era pura emoção. Coração em chamas. Um homem que confessava precisar de amor, muito amor e carinho, para se sentir vivo. E que morreu porque o barco do amor espatifou-se na rotina. Ou no malévolo interesse das pessoas que o cercavam. Porque Maiakovski teve amor a mancheias, mas também teve muito mau-caráter em volta de si. Era um homem enorme, com voz de trovão, o trovão       

que ecoa ao vento. E mesmo assim se deixou ser usado por pessoas que diziam amá-lo, como foi o caso de Lilia Brik e seu marido Ossip. "
( fonte http://www.abi.org.br/colunistas.asp?id=917)


                                              Sierguei Iessienin à Maiakovski 



Até logo, até logo companheiro.
Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.

Eu te guardo no meu peito e te asseguro:
Nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro.
Não faças um ar tão pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.









A SIERGUÉI IESSIÊNIN


Você partiu,
                 como se diz,
                                    para o outro mundo.
Vácuo. . .
             Você sobe,
                             entremeado às estrelas.
Nem álcool,
                 nem moedas.
Sóbrio.
           Vôo sem fundo.
Não, lessiênin,
                      não posso
                                     fazer troça, -
Na boca
             uma lasca amarga
                                        não a mofa.
Olho -
          sangue nas mãos frouxas,
você sacode
                  o invólucro
                                 dos ossos.
Sim,
       se você tivesse
                             um patrono no "Posto"
(1) -

ganharia
            um conteúdo
                               bem diverso:
todo dia
            uma quota
                           de cem versos,
longos
          e lerdos,
                       como Dorônin
(2).
Remédio?
               Para mim,
                               despautério:
mais cedo ainda
                        você estaria nessa corda.
Melhor
           morrer de vodca
que de tédio !
Não revelam
                   as razões
                                 desse impulso
nem o nó,
               nem a navalha aberta.
Pare,
        basta !
                   Você perdeu o senso? -
Deixar
          que a cal
                        mortal
                                  Ihe cubra o rosto?
Você,
         com todo esse talento
para o impossível;
                          hábil
                                  como poucos.
Por quê?
             Para quê?
                            Perplexidade.
- É o vinho!
                 - a crítica esbraveja.
Tese:
         refratário à sociedade.
Corolário:
                muito vinho e cerveja.

Sim,
       se você trocasse
                                a boêmia
                                             pela classe;
A classe agiria em você,
                                    e Ihe daria um norte.
E a classe
                por acaso
                               mata a sede com xarope?
Ela sabe beber -
                        nada tem de abstêmia.
Talvez,
          se houvesse tinta
                                    no "Inglaterra"
(3);
você
        não cortaria
                          os pulsos.
Os plagiários felizes
                              pedem: bis!
Já todo
           um pelotão
                           em auto-execução.
Para que
              aumentar
                            o rol de suicidas?
Antes
         aumentar
                       a produção de tinta!
Agora
         para sempre
                           tua boca
                                        está cerrada.

Difícil
        e inútil
                  excogitar enigmas.
O povo,
            o inventa-línguas,
perdeu
          o canoro
                       contramestre de noitadas.

E levam
             versos velhos
                                 ao velório,
sucata
          de extintas exéquias.
Rimas gastas
                    empalam
                                  os despojos, -
é assim
            que se honra
                                um poeta?
-Não
        te ergueram ainda um monumento -
onde
        o som do bronze
                                 ou o grave granito? -
E já vão
            empilhando
                             no jazigo
dedicatórias e ex-votos:
                                   excremento.
Teu nome
               escorrido no muco,
teus versos,
                  Sóbinov
(4) os babuja,
voz quérula
                 sob bétulas murchas -
"Nem palavra, amigo,
                               nem so-o-luço".
Ah,
      que eu saberia dar um fim
a esse
          Leonid Loengrim!
(5)
Saltaria
            - escândalo estridente:
- Chega
            de tremores de voz!
Assobios
             nos ouvidos
                              dessa gente,
ao diabo
             com suas mães e avós!
Para que toda
                    essa corja explodisse
inflando
            os escuros
                            redingotes,
e Kógan
(6)
               atropelado
                               fugisse,
espetando
                os transeuntes
                                      nos bigodes.
Por enquanto
                    há escória
                                    de sobra.
0 tempo é escasso -
                              mãos à obra.
Primeiro
             é preciso
                           transformar a vida,
para cantá-la -
                      em seguida.
Os tempos estão duros
                                   para o artista:
Mas,
        dizei-me,
                     anêmicos e anões,
os grandes,
                 onde,
                          em que ocasião,
escolheram
                  uma estrada
                                     batida?
General
            da força humana
                                     - Verbo -
marche!
            Que o tempo
                               cuspa balas
                                                 para trás,
e o vento
             no passado
                              só desfaça
um maço de cabelos.
Para o júbilo
                   o planeta
                                 está imaturo.
É preciso
              arrancar alegria
                                     ao futuro.
Nesta vida
                morrer não é difícil.
O difícil
           é a vida e seu ofício.

(Tradução de Haroldo de Campos)
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1. Alusão à revista Na Postu (De Sentinela), órgão da RAPP (Associação Russa dos Escritores Proletários), cujos colaboradores se mostravam muito zelosos em atacar os escritores que lhes pareciam transgredir a moral proletária.

2. Referências ao poeta soviético I.I. Dorônin (n. em 1900).
3. Hotel em que Iessiênin se suicidou.
4. O famoso cantor L.V. Sóbinov (1872-1934) foi um dos participantes
da homenagem à memória de Iessiênin, que teve lugar no Teatro de Arte de Moscou, em 18 de janeiro de 1926, quando interpretou uma canção de Tchaikóvski.
5. O papel de Loengrim, da ópera deste nome, de Wagner, constituiu um dos grandes êxitos da carreira artística de Leonid Sóbinov.
6. O crítico P.S. Kógan (1872-1932), representante da crítica mais dogmática, com quem Maiakóvski manteve freqüentes polêmicas.


( fonte : http://www.culturapara.art.br/opoema/maiakovski/maiakovski_poema.htm)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A manhã - Vladimir Maiakóvski

A manhã 

A chuva lúgubre olha de través. 
Através 
da grade magra 

os fios elétricos da idéia férrea - 
colchão de penas. 
Apenas 
as pernas 
das estrelas ascendentes 
apoiam nele facilmente os pés. 
Mas o destroçar dos faróis, 
reis 
na coroa de gás, 
se faz 
mais doloroso aos 
buquêshostisdasprostitutasdotrotoar.
no ar
o trotar
do riso-espinho dos motejos -
das venenosas
rosas
amarelas se propaga
em zig-zag
ag-
rada olhar de
tras do alarde
e do
medo:
ao escravo
das cruzes
quieto-sofrido-indiferentes
e ao esquife
das casas
suspeitas
o oriente
deita no mesmo vaso em cinza e brasas



Maiakóvski

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Confabulando Imagens - André Neves

http://confabulandoimagens.blogspot.com.br/search?updated-max=2011-09-06T12:18:00-03:00&max-results=10&start=10&by-date=false

Ilustrador/escritor de livros infantis como: Tom, Lino, Margarida e o Capitão e a Sereia




LIVROS RECENTES

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Lilitchka! Em Lugar de uma carta

Fumo de tabaco rói o ar.
O quarto —
um capítulo do inferno de Krutchónikh.
Recorda —
atrás desta janela
pela primeira vez
apertei tuas mãos, atónito.
Hoje te sentas,
no coração — aço.
Um dia mais
e me expulsarás,
talvez, com zanga.
No teu hall escuro longamente o braço,
trémulo, se recusa a entrar na manga.
Sairei correndo,
lançarei meu corpo à rua.
Transtornado,
tornado
louco pelo desespero.
Não o consintas,
meu amor, meu bem,
digamos até logo agora.
De qualquer forma
o meu amor
— duro fardo por certo —
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
Quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor
para mim
não há mar,
e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.
Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos — rodopiante carnaval —
dispersarão as folhas dos meus livros...
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?

Deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa.

Trad. Augusto de Campos

in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Дым табачный воздух выел.
Комната -
глава в крученыховском аде.
Вспомни -
за этим окном
впервые
руки твои, исступленный, гладил.
Сегодня сидишь вот,
сердце в железе.
День еще -
выгонишь,
можешь быть, изругав.
В мутной передней долго не влезет
сломанная дрожью рука в рукав.
Выбегу,
тело в улицу брошу я.
Дикий,
обезумлюсь,
отчаяньем иссечась.
Не надо этого, 
дорогая,
хорошая,
дай простимся сейчас.
Все равно
любовь моя -
тяжкая гиря ведь -
висит на тебе,
куда ни бежала б. 
Дай в последнем крике выреветь
горечь обиженных жалоб.
Если быка трудом уморят -
он уйдет,
разляжется в холодных водах.
Кроме любви твоей,
мне 
нету моря, 
а у любви твоей и плачем не вымолишь отдых.
Захочет покоя уставший слон -
царственный ляжет в опожаренном песке.
Кроме любви твоей,
мне
нету солнца,
а я и не знаю, где ты и с кем.
Если б так поэта измучила,
он

любимую на деньги б и славу выменял,
а мне
ни один не радостен звон,
кроме звона твоего любимого имени.
И в пролет не брошусь,
и не выпью яда,
и курок не смогу над виском нажать.
Надо мною, 
кроме твоего взгляда, 
не властно лезвие ни одного ножа.
Завтра забудешь,
что тебя короновал,
что душу цветущую любовью выжег,
и суетных дней взметенный карнавал
растреплет страницы моих книжек... 
Слов моих сухие листья ли
заставят остановиться,
жадно дыша?

Дай хоть
последней нежностью выстелить
твой уходящий шаг.



Vladimir Vladimirovich Mayakovsky (n. 7 de julho (calendário juliano) / 19 de julho (calendário gregoriano) de 1893, em Bagdadi, Geórgia – 14 de abril de 1930,


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